Manifesto
Consegui porra. Escrever é a única coisa que consigo fazer devagar sem desistir, posso até demorar para pegar a caneta.
Faz dias que não escrevo.
Colocar os planos em prática para escrever está osso.
É como querer andar com as mãos sem ter feito os exercícios necessários para isso.
Propor e pôr em prática esse treino é outra história, é como escrever sem treinar a escrita todos os dias
Outro dia, como disse aí em cima, quis andar de mãos dadas com o chão, não deu outra, cai.
Toma-lhe tombo.
E se você pensou isso, acertou em cheio, foi uma queda monumental, dor nas costas e vergonha alheia no studio de Crossfit.
Continuei tentando, até o treino da noite começar.
Costas doendo, vergonha, comentários e um monte de dicas para conseguir tal proeza.
Olha, estou no Cross a um bom tempo, mas como diz minha irmã “o menino é lento pra pegar as coisas”
Ainda hoje, com mais de cinquenta anos, minha irmã ainda me chama de menino.
Talvez seja assim com a escrita, lento pra escrever, rápido para desistir.
No fundo escrever é a única coisa que consigo fazer devagar sem desistir, posso até demorar para pegar a caneta.
Mas no fim sempre estou lá escrevendo minhas loucuras.
Abrindo espaço para sentimentos preso na garganta, como aquele grito “consegui porra” sim o grito saí todo dia quando consigo executar um único exercício certo no Cross.
Agora quero trazer esse grito para a escrita, gritar “consegui porra” deve ser meu mantra daqui por diante.
Penso que escrever não deveria ser esse bicho esquisito que está sendo ultimamente.
Pois é a única coisa que me acalma.
Então tá aí…
“Consegui porra”


